SALVE, SALVE, BASSALUS, BASSALORUM! ¹

OPINIÕES

SALVE, SALVE, BASSALUS, BASSALORUM! ¹

Elias Ribeiro Pinto
Jornalista

Já era para eu ter feito o registro há muito tempo, logo em seguida ao 10 de setembro em que o amigo José Maria Filardo Bassalo completou 70 anos de idade e aposentou-se, compulsoriamente, depois de bons serviços prestados, que só não foram mais e melhores porque não deixaram. Para a ocasião, Bassalo escreveu um texto, que transcrevo a seguir, bastante resumido, em função do espaço.

“No dia 10 de setembro de 2005, completei 70 anos de idade e 44 como professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). Em 1973 e 1975, respectivamente, obtive os títulos de Mestre em Física e Doutor em Física pela Universidade de São Paulo. Em 1989 tornei-me Professor Titular do Departamento de Física da UFPA.

Durante esses 44 anos de atividades, desenvolvi trabalhos de ensino, pesquisa e divulgação da Física. Entre outros resultados, apresentei 176 trabalhos sobre a História da Física divulgados em revistas nacionais e internacionais; 168 palestras, conferências, seminários e mini-cursos proferidos em várias instituições de ensino. Verbetes no Who´s Who in World (1999, 2000); Who´s Who in Science and Engineering (2000-2001); Outsanding People of the 20th Century (1999); Membro do Colégio de Consultores da COLEÇÃO MEMÓRIA DO SABER, do CNPq; Membro Ativo da Academia de Ciências de New York; Membro das seguintes Sociedades Científicas: Sociedade Brasileira de Física, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Sociedade Brasileira de História da Ciência (fundador) e Sociedade Portuguesa de Física. Escrevi nos seguintes jornais (164 artigos): O Liberal, A Província do Pará, Diário do Pará e Jornal Pessoal, de Belém; Jornal da Ciência, do Rio de Janeiro; o Estado de São Paulo, de São Paulo. Sou autor, entre outros livros (editados pela UFPA): Crônicas da Física, em seis volumes; Nascimentos da Física, em quatro volumes. Detalhes desse currículo podem ser vistos no sítio www.bassalo.com.br.

Ainda durante o tempo em que atuei na UFPA, lutei, sem ainda lograr êxito, para a criação de um Instituto de Ciência e Tecnologia da Amazônia (ICTA), objetivando estudar os problemas tecnológicos de nossa região, sob o ponto de vista científico, e apresentar soluções próprias para os mesmos. Igualmente ainda sem êxito foi a minha luta para criar uma Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA), de molde análogo às suas congêneres (como a FAPESP), para qualificar os paraenses no sentido de contribuir ao desenvolvimento de nosso Estado.

Agora, compulsoriamente aposentado como professor de Física da UFPA, não terei mais compromisso acadêmico. No entanto, como “apenas um filofísico (amante da Física)”, darei continuidade ao mesmo trabalho que fiz até hoje. Assim, isoladamente ou com eventuais parceiros, publicando artigos sobre História e Filosofia da Física; com Paulo de Tarso Santos Alencar e Clodoaldo Fernando Ribeiro Beckmann, continuando a publicar as Teses de Cátedra defendidas no CEPC e na antiga Escola Normal do Pará. Também iniciarei novos estudos, como a Biofísica e a Econofísica. Além disso, trabalharei no sentido de criar, juntamente com a minha mulher Célia, meus familiares e alguns amigos, a FUNDAÇÃO MINERVA para divulgar as duas culturas (técnico-científica e humanista) para jovens paraenses que desejem lutar pelo desenvolvimento de nossa sofrida Amazônia. E no final das manhãs dos sábados, continuarei “esfriando a cuca” no nosso Quartier Latin Tupiniquim, em conversas informais e descontraídas, sobre os mais diversos assuntos (filosofia, ciência, tecnologia, história, poesia, política, futebol, “fofocas transmitidas pela rádio Cipó” etc.), que acontecem no Café Delicidade, na esquina da Travessa Doutor Morais com a Avenida Braz de Aguiar, com meus fraternos amigos: José Edison Ferreira, os irmãos Rosa, José Perilo e Pedro Leon, Luís Breviglieri, Max Martins, Milton Augusto Freitas de Meira, Nazareno Maravilha da Silva, meus cunhados Geraldo e Valdir Coelho, e eventuais amigos que por lá passam.

Nesse resumo de minha vida civil e universitária, gostaria de enfatizar que, além da frustração de não haver, até o momento, conseguido criar o ICTA e a FAPESPA, tive minha formação acadêmica atropelada pelo antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) que, por me considerar subversivo (fui preso quando morava no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, por ocasião da edição do AI-5), impediu-me de viajar para o exterior para realizar os Cursos de Mestrado, de Doutorado e estágios de Pós-Doutoramento. Apesar disso, fi-los todos, no Brasil”.

Certamente por modéstia, o amigo Bassalo não citou um de seus principais títulos, o de ter sido generosamente citado no maior de todos os romances paraenses, Cabelos no Coração, de Haroldo Maranhão. No livro, Filipe Patroni, o protagonista, dedica uma ode em louvor ao probíssimo sabedor “de números, teoremas, catetos e hipotenusas”, ode que assim começa: “Amicus et Magister Bassalorum/ Maximum inter pares et inter impares./ Es tuu modestissimus in sacra scientia/ sacra sapientia. Numeri, numeri, numerorum”. E, adiante, muito mais se consagra. “Salve, salve Bassalus, Bassalorum!/ Praelis sponsa verbo Archipresbiteri/ Evax Triumphe”! Doctor honoris causa/ Universitá Terra Amazonis”. Falou e disse. Parabéns, amicus et magister.

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1. Artigo publicado no Diário do Pará, no dia 21 de setembro de 2005, e inserido nos Anais da Câmara Municipal de Belém por proposta do Vereador, o advogado, engenheiro civil e professor João Messias dos Santos Filho.

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