Entrevistas |
Entrevista¹ (completa) com o jornalista Elias Ribeiro Pinto para a sua coluna Boteco das Letras, publicada no Diário do Pará, em 24 de agosto de 2008.
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ERP: Da Belém do já teve, o que dá mais saudade?
JMFB: Da época (décadas de 1940 e 1950) em que podíamos sair de noite sem ter medo de ser assaltado. Só tínhamos medo da matinta-pereira, do lobishomen e do “homem que virava porco”.
ERP: E da Belém de agora, o que dá prazer?
JMFB: Ficar em casa, trabalhando com a Internet e, semanalmente, bater um papo com os meus amigos no Café Delicidade; quinzenalmente, almoçar no Estação Gourmet com os meus colegas do ex-DMER; e, bimensalmente, almoçar no Restaurante Avenida com os meus colegas do CPOR. Está subentendido que tenho também prazer em conversar com os meus familiares: mulher, filhos, netos, irmãos, sobrinhos e cunhados e concunhados, além de amigos fraternos.
ERP: Que prédio você destacaria na arquitetura da cidade?
JMFB: Aqui, vai um “nepotismo arquitetônico”. Gosto do prédio onde moro, o Edifício Delta Garden, pela sua planta. Em cada apartamento, como não existem janelas e sim sacadas externas, fica-se com a sensação que estamos em uma casa.
ERP: Se lhe fosse pedido, que conselho daria para o próximo prefeito?
JMFB: Criar uma Fundação Municipal de Amparo à Pesquisa para que, por intermédio de bolsas de estudos, possa melhorar a formação profissional de seus funcionários municipais. Além disso, ela deve financiar projetos que visem melhorar a vida do cidadão de Belém. Contudo, essa Fundação deverá ser diretamente ligada ao Governo da Prefeitura. Ela não pode estar vinculada com nenhuma Secretaria Municipal. Ela deve ter a liberdade de estudar e propor soluções para os problemas da cidade, em todos os seus aspectos. O exemplo desse tipo de Fundação é a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ela não pode ser mais uma “repartição pública”.
ERP: E para o próximo reitor, qual seria sua sugestão?
JMFB: Levar os professores da UFPA para interagir com os seus futuros alunos, ou seja, programar palestras semanais nas Escolas Públicas e Privadas do Ensino Fundamental e Médio, para que os alunos dessas Escolas possam tomar contato com o que se faz e ensina na UFPA e, escolher, com consciência, a sua futura profissão.
ERP: Ser físico é...
JMFB: Viver no paraíso do entendimento do Universo e padecer no inferno da cientistocracia brasileira.
ERP: Um livro, um filme, uma música, uma livraria (mesmo que já não exista), uma fórmula.
JMFB: Livro: “A Nuvem Negra”, do astrofísico inglês Fred Hoyle. Nesse livro, em face do perigo da presença ameaçadora alienígena de uma “nuvem negra”, os cientistas mundiais se uniram para poder salvar o nosso planeta dessa ameaça. Filme: “Mulheres de Areia”. Nesse filme, um nativo de uma ilha, que era cientista na Inglaterra, vem passar as férias. Perde o navio de volta e, em vista disso, teve que ficar na ilha por um ano. Inicialmente, ele fica desesperado, porém, vendo os graves problemas que seus habitantes viviam sofrendo (caso, por exemplo, da potalidade da água), ele percebe que, na ilha, ele seria mais útil aos seus habitantes, do que ser MAIS UM CIENTISTA na Inglaterra. Livraria: a do Laurindo Garcia, na Oliveira Belo, que vendia livro para os estudantes universitários, em módicas prestações, e sem pedir avalista. Fórmula: a do Bhaskara, a que permite calcular as raízes de uma equação algébrica do segundo grau [y = ax2 + bx + c = 0, com
].. Creio que todos os que aprenderam essa fórmula, no então quarto ano do Ginásio, nunca mais a esqueceram. Tenho um amigo, o Renato Mindello, que, quando já bebeu um pouco, usa a lembrança ou não dessa fórmula, para continuar ou para parar de beber.
ERP: A quem você ergueria um brinde?
JMFB: A todos os que lutam pela salvação de nosso planeta e de seus habitantes, frente a ganância do “capitalismo selvagem (ou não)”.
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¹ Em virtude do espaço da coluna, ela foi editada pelo jornalista.