Jan 06

O dia 17 de dezembro de 2008 marca a data dos 40 anos da invasão do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP), em decorrência da edição do Ato Institucional Número 5 (AI-5), no dia 13 de dezembro, por parte do Movimento Militar de 1964, dia em que ocorreu a prisão dos moradores desse Conjunto (eu era um deles).
Neste artigo, vou registrar como vivenciei a data. Quando o AI-5 foi editado, em uma sexta-feira, dia 13 de dezembro de 1968, em conseqüência de um discurso proferido pelo então deputado federal Márcio Moreira Alves, encontrava-me em São Paulo fazendo o Mestrado em Física, no então Departamento de Física da Universidade de São Paulo (DF/USP). Como estava sem a minha família, morava no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP), no Bloco F, apartamento 505, juntamente com o paraense (também estudante de Física) Marcelo Otávio Caminha Gomes e mais um engenheiro mecânico, o Maurízio Ferrante.
Para festejar essa data, na madrugada do dia 14 de dezembro, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) metralhou o CRUSP, de um local perto do Instituto Butantã. Essa residência estudantil era composta de um conjunto de sete prédios (denominados de A, B, C, D, E, F, e G), com seis pavimentos e assentes sob pilotis (colunas), sendo 11 apartamentos por andar que davam para um corredor. Morávamos no F, conforme disse, que era destinado aos alunos que estavam fazendo pós-graduação na USP. Esses blocos tinham suas fachadas voltadas para o rio Pinheiros, e foram construídos de forma alternada, sendo o F o penúltimo prédio, próximo ao Restaurante Universitário, mais próximo do Instituto Butantã. Em vista da situação geográfica, o Bloco F foi metralhado pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Felizmente não houve nenhum acidente pois, sabedores de uma possível represália por parte do CCC (que já havia destruído a peça de Chico Buarque, Roda Viva), dormíamos no chão dos quartos, sendo os colchões colocados nas paredes, para evitar balas. Mesmo assim, quase uma dessas balas mata um colega nosso, que morava no 507, já que se encontrava nos sanitários, e sentiu um “vento mortífero’’ passar a um palmo de sua cabeça. Não satisfeitos com essa atitude criminosa, o CCC voltou a metralhar o CRUSP, no domingo dia 15, à noite, desta vez pela parte da frente, atingindo o Bloco A, onde moravam apenas alunas. Novamente, por felicidade, não houve vítimas. Foi dessa maneira que uma parte ultra-reacionária da sociedade civil paulista festejou o AI-5. Porém, não ficou apenas nesse incidente a comemoração do Ato.
O poder político-militar instituído também fez sua celebração. Promoveu a invasão do CRUSP, na madrugada do dia 17 de dezembro, por tropas do II Exército e da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Antes de prosseguir neste relato, quero responder a uma dúvida que certamente está passando na cabeça do leitor. Quase no final de dezembro, e depois de duas rajadas de metralhadora do CCC, porque continuei morando no CRUSP? Por que, em virtude do famoso maio de 1968, que começou na França e teve repercussão em todo o mundo, houve greve e o ano letivo foi prolongado. Assim, tinha uma prova final da disciplina Relatividade Restrita, com o professor Jayme Tiomno e seu assistente, o professor Mauro Sérgio Dorsa Cattani, no dia 16 de dezembro, véspera da referida invasão. Pois bem, essa prova foi realizada à tarde. Assim, voltando para o nosso apartamento, depois do jantar, comecei a preparar os relatórios à Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Universidade Federal do Pará (UFPA), já que pretendia viajar para Belém, via Rio de Janeiro, no dia 21 de dezembro. Quando terminei de preparar os relatórios, cerca de duas horas da manhã do dia 17, fui à janela do apartamento para respirar aliviado e me deitar. No entanto, na janela, notei que o silêncio da madrugada tépida que cobria o CRUSP, estava sendo perturbado por um ruído estranho, como se um furtivo comboio de carros tivesse entrando no campus da USP. Como era de madrugada, tive de aguçar a visão para ver que tipo de barulho era aquele. Qual a minha surpresa quando percebi que se tratava de tanques do Exército, cerca de 17 unidades, conforme verificamos mais tarde. Imediatamente acordei o Marcelo e o Maurízio, para ver o que estava acontecendo. De pronto, subi ao apartamento 611, para falar com o cearense Newton Theophilo de Oliveira, meu grande amigo e colega de estudos. Juntos, e apavorados, ficamos esperando o que ia acontecer.
Cerca de seis horas da manhã, o comandante da operação-invasão, um oficial-general do Exército, vestido com uniforme de campanha, ordenava aos cruspianos, através de um megafone, que descessem dos apartamentos, apenas com a roupa que estivessem usando. Desse modo, ficamos horas sob os pilotis do prédio, aguardando que fosse feita a revista-cívica no CRUSP. Ela foi feita, prédio por prédio, andar por andar, apartamento por apartamento, por um sargento e um oficial, ambos do Exército. Sobre essa revista, há fatos curiosos a registrar. Por exemplo: na época, a Revista Realidade havia feito uma matéria com o grande líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes, cuja fotografia havia sido capa dessa Revista. Pois bem, logo que o oficial entrava em cada apartamento, junto à porta de cada apartamento, essa Revista era automaticamente confiscada, e entregue ao sargento que a colocava no corredor, junto à porta de cada apartamento, como uma prova de suposto crime de lesa-pátria. Além do mais, de acordo com o critério do oficial-censor, haveria um novo confisco de supostas outras provas. Em nosso apartamento, na sala de estudos, eu possuía uma pequena biblioteca. Nesta, lembro-me bem, tinha a coleção The Feynman Lectures on Physics, composta de três volumes, editada pela Addison Wesley Corporation, dos Estados Unidos, e de cor vermelha. Além dela possuía, também, uma coleção de Física Teórica, do Landau e Lifchtiz, composta de seis volumes, editados em Moscou, de sobrecapa vermelha, porém, com o dorso preto. Pois bem, o oficial, ao ver os livros, comentou: É, parece que aqui se estuda. Eu repliquei: Sim, porque todos somos professores. No entanto, apesar desse pequeno diálogo, ele viu os livros do Feynman, pediu-me que os tirasse da estante, e devido a sua cor vermelha, indagou-me sobre a sua “periculosidade’’. Quando disse ao capitão que era um livro americano, respirou aliviado. Por felicidade minha, e por ignorância (em assuntos de Física) do censor, ele passou pela coleção do Landau-Lifchtiz, e não disse nada. O dorso preto do livro evitou que eu fosse considerado “agente do ouro de Moscou’’.
Ainda com relação a essa revista-humilhação, há mais alguns fatos curiosos a registrar. Terminada a mesma, o suposto material subversivo era anotado e levado para o hall de entrada de cada prédio. No monte de meu prédio, vi o livro O Vermelho e o Negro, do escritor francês Stendhal (escrito em 1830, e versando sobre a queda do Imperador Napoleão e a restauração dos Bourbons), confiscado como um livro subversivo. Vi, também, o sargento-relator ficar abismado com o monte do famoso poster do Che Guevara, com o boné e a estrela solitária, poster que ele havia recolhido de cada apartamento. Recordo-me de sua frase: Vocês gostam `paca’ deste um.
Concluída a famigerada revista-moralista (meses depois, houve uma exposição na Avenida Paulista sobre o que haviam encontrado no CRUSP, com ênfase para os preservativos recolhidos, e um relógio-despertador considerado como uma bomba-relógio) em todo o CRUSP, por volta de três horas da tarde, ficamos presos sob os pilotis de cada prédio, rodeados por policiais-militares que usavam cães amestrados para nos manter em forma, além de simular fuzilamento, toda a vez que o grupo cantava o hino da Internacional Socialista.
Não conformados com a humilhação de sermos revistados, com fome, com apenas a roupa do corpo, e sem saber o nosso destino, os invasores resolveram nos humilhar mais ainda. Depois de requisitarem ônibus da então Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), que faziam linha para o campus da USP, fomos levados para a Prisão Tiradentes. Chegando naquela prisão, fomos saudados pelas prostitutas paulistas que foram soltas, para que houvesse lugares para colocar as cruspianas. Estas se revoltaram e disseram que não entrariam nas celas. Depois de algum tempo de negociação, foram soltas. Porém, nós, os cruspianos, ficamos presos. Como éramos cerca de mil, foi feita uma relação de todos. Cada um de nós dava nome e endereço e depois, subia para as celas. Contudo, eu, Marcelo Gomes, Jayme Warzawski e mais alguns pós-graduandos, deixamos para dar nossos nomes, apenas no final. Depois de fichados (sem, contudo, sermos fotografados e nem registradas nossas impressões digitais), cerca de dez horas da noite, quando íamos subir para a cela, veio um delegado, com uma lista na mão, e começou a ler alguns nomes, que seriam soltos. Que alívio, quando ouvi meu nome, assim como o do Marcelo e do Jayme, dentre outros. Essa ordem de soltura decorreu do fato de que o professor Tiomno foi ao então Reitor da USP, professor Hélio Lourenço de Oliveira, dizer-lhe que precisava fazer alguma coisa, pois haviam sido presos alunos de pós-graduação, que, contudo, eram professores de outras universidades, como, por exemplo, o meu caso. Então, esse professor foi ao comandante do II Exército com uma lista de pós-graduandos, que moram no CRUSP. Desse modo, fomos soltos.
Apesar de soltos (eu, Marcelo e Jayme), restava uma questão. Para onde ir, cerca de onze horas da noite, já que não podíamos voltar para o CRUSP que estava ocupado militarmente? Pegamos um táxi e fomos para a casa do professor Tiomno, que morava na rua Maria Figueiredo, no Bairro do Paraíso. Em lá chegando, cerca de meia-noite, cansados, sujos e famintos, a professora Elisa, esposa do professor Tiomno, tratou-nos como uma verdadeira mãe. Enquanto tomávamos banho, ela preparou um excelente jantar, com frango e macarrão, um bom vinho e uma sobremesa de pêssegos em calda. Dormimos com pijamas do professor Tiomno.
No dia seguinte, fui com esse professor ao meu apartamento no CRUSP para pegar as minhas coisas pessoais. Acompanhados de um oficial do Exército, ele só me deixou apanhar as minhas roupas, ficando lá todos os meus livros. Mais tarde, um amigo meu, o matemático paraense José Miguel Martins Veloso, atualmente professor da UFPA, retirou o que restou de meus livros e os guardou consigo.
Nessa altura, cremos ser necessário dar uma explicação da razão pela qual o CRUSP foi metralhado pelo CCC, bem como foi invadido pelos militares. O CRUSP era considerado um território livre para os que queriam lutar contra o regime de exceção que havia se implantado no Brasil, a partir de 1964. Desse modo, para lá iam se homiziar os líderes estudantis brasileiros, tais como Wladimir Palmeira, Luiz Travassos (este, morto posteriormente em circunstâncias estranhas no Rio de Janeiro, vítima de um atropelamento), presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), e José Dirceu, líder dos estudantes secundários paulistas. Assim, em agosto de 1968, o CRUSP recebeu a visita de uma viatura (camburão) do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), cerca de seis horas da manhã. Um delegado se apresentou para prender alguns daqueles líderes. Então, os cruspianos prenderam-no no bloco G, e começaram a interrogá-lo. A viatura foi queimada em frente ao Restaurante Universitário. Como o delegado não voltou ao DOPS, esta foi avisada, certamente pelo motorista do camburão. Assim, por volta das sete horas da noite desse dia de agosto, o DOPS mandou um pelotão de policiais para libertar o delegado na “marra’’. Lembro-me que um cinegrafista de TV teve seu instrumento de trabalho quebrado por um violento golpe de coronha de fuzil.
Um outro fato que fez do CRUSP um objeto de repressão, foi o de que por ocasião do célebre XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, em outubro de 1968, alguns participantes desse Congresso estiveram hospedados lá. Quando esse Congresso foi descoberto pelas forças militares de repressão, os jornais paulistas mostravam fotografias do evento, e nelas era fácil identificar os mantos de dormir que usávamos no CRUSP. Além do mais, houve a célebre refrega entre o CCC, que se encontrava na Universidade Mackenzie, situada na rua Maria Antônia, e os alunos de Filosofia da USP, que ficava também nessa rua, da qual resultou na morte do estudante secundarista José Guimarães.
A nossa prisão em São Paulo teve desdobramentos. Em virtude dela, fui impedido algumas vezes de sair do país para estudar fora do Brasil. Por exemplo, convidado para fazer o doutorado na França, em 1972, e com Bolsa de Estudos do então Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), nunca o Ministério de Educação e Cultura (MEC) completou minha liberação para viajar, pois o Serviço Nacional de Informação (SNI) não deixava. Depois de me doutorar na USP, fui vítima da chamada cassação branca. Feito convite por instituição estrangeira, Bolsa do CNPq ou da CAPES, mas a mão invisível da Ditadura, manipulada pelo SNI, impedia que o MEC liberasse o candidato, apesar do aprovo do Ministro da Educação.
Por fim, quero advertir que esse meu depoimento, depois de 25 anos, não é uma “lambida de ferida’’ (que embora sarada, deixou seqüelas), e sim uma advertência para que os jovens não pensem que uma DITADURA é apenas uma figura de retórica. Durante a minha vida (nasci em 1935), estive sob o teto indireto e direto de duas: a de 1937 e 1964, respectivamente. Gostaria, portanto, de não vivenciar mais nenhuma, mesmo porque a História tem mostrado que elas não representam nenhuma solução. A DEMOCRACIA no Terceiro Mundo, mesmo com todos os problemas negativos que ela enseja, é melhor do que qualquer tipo de ditadura, quer seja de direita, quer seja de esquerda.

Jan 28

José Paulo de Oliveira Filho Médico Pós-Graduado em Psiquiatria (PUC) e Terapeuta Ericksoniano[1]José Maria Filardo BassaloDoutor em Física (USP) e Professor Titular Aposentado da UFPA[2]Nelson Pinheiro Coelho de SouzaProfessor de Física da UFPA e do Distrito Unificado de Los Angeles[3]  

                                      Embora a existência de uma relação de causa e efeito entre  emoções e doenças psicossomáticas (manifestação das doenças orgânicas provocadas por problemas emocionais) seja um fato inquestionável, ainda permanece por ser explicado o mecanismo através do qual a emoção influi na cura ou agravamento dessas doenças. Neste artigo, vamos examinar alguns textos de médicos e psicólogos que confirmam o efeito da prevenção (e possível cura) de tais doenças, e conjecturar ser essa a relação de causa e efeito mediada por intermédio de uma substância, D(+) –adrenalina, que é um dos enantiômeros [1] da molécula da adrenalina.                     O médico norte-americano Dean Ornish em um de seus livros [2] apresenta uma série de relatos de sua experiência profissional em mais de vinte anos, bem como a de outros profissionais, nos quais observaram que a “sobrevivência das pessoas depende do poder curador do amor, da intimidade e de seus relacionamentos como indivíduosâ€. [3]                   Por sua vez, a pensadora e professora norte-americana Louise L. Hay depois de uma experiência pessoal (a cura de um câncer), começou a estudar os padrões que geram as doenças físicas. Assim, por intermédio de conferências, seminários e programas de treinamento, começou a ajudar as pessoas doentes no sentido de entender a sua doença e buscar a cura. O sucesso dessa atividade a levou a escrever, a partir de 1976, uma série de livros, dentre os quais destacamos dois deles, [4] no qual ela mostra a relação entre as doenças e a causa emocional provável delas, assim como sugere uma mudança de postura emocional do doente, basicamente, um novo padrão de pensamento (mente), que lhe ajudará em sua cura (corpo).                    A psicóloga, psicanalista e física brasileira Maria Beatriz Breves Ramos desenvolve um projeto análogo aos dois citados anteriormente. Com efeito, em dois de seus livros [5] ela apresenta a tese de que o ser humano é um ser macromicro e que, ele adoece, quando há um desequilíbrio que se manifesta em nível biológico e em nível psicológico. [6] Em um livro recente, [7] a pesquisadora Maria Beatriz mostra a comprovação de sua tese, ao acompanhar diversos pacientes internados em um hospital-geral, com as mais variadas doenças.                                  Para dar continuidade aos argumentos de nossa conjectura, vejamos algumas informações sobre a adrenalina (C9H13NO3), [8] também conhecida como epinefrina, obtidas nas pesquisas realizadas na Internet por dois dos autores (JMFB e NPCS, com a colaboração do biofísico brasileiro Alan Wilter Sousa da Silva). Ela é um hormônio secretado pelas glândulas supra-renais (localizadas acima dos rins) e, em cada célula dessas glândulas, há cerca de 30.000 pacotes contendo esse hormônio. [9] A adrenalina possui dois enantiômeros: L(-) - adrenalina e D(+) –adrenalina, sendo que a primeira é dez (10) vezes mais potente do que a segunda. [10] Desde muito tempo, são bem conhecidos os efeitos da L(-) - adrenalina nos seres humanos. Por exemplo, quando se alteram as condições que ameaçam a integridade física de uma pessoa (quer fisicamente, quer emocionalmente), ela é lançada na corrente sangüínea, provocando aceleração dos batimentos cardíacos, elevação do nível do açúcar no sangue, minimização do fluxo sangüíneo nos vasos e no sistema intestinal, enquanto maximiza esse fluxo para os músculos voluntários nas pernas e nos braços e “queima†gordura nas células adiposas. Muito embora a L(-) - adrenalina seja usada como anestésico local [11], em emergência médica, [12] não há registro médico de que esse enantiômero da adrenalina possa causar doenças. [13]                                    Por outro lado, desde a década de 1950, começaram a ser estudados, em ratos, os efeitos dos dois enantiômeros da adrenalina. [14,15] Contudo, e-mails trocados entre os autores e alguns cientistas, [13] associado com uma pesquisa intensiva na Internet, indicam que, provavelmente, ainda não houve um teste da D(+) – adrenalina em seres humanos e nem que a mesma seja produzida no corpo humano. Sabe-se, no entanto, que a L(-) – adrenalina em solução é inativada pela racemização, isto é, metade da mesma é transformada em D(+) – adrenalina. [10] É oportuno registrar que a racemização de enantiômeros é gerada pela interação das moléculas L(-) ou D(+) com as moléculas do meio onde elas estão imersas [16].                                  Agora, vejamos a conjectura proposta neste artigo. O efeito curador da emoção, provavelmente por uma ação bioquímica, também foi vivenciado por um dos autores (JPOF). Com efeito, ele sofria de uma hiperacidez gástrica que o atormentava bastante. Certo dia, depois de alguns saltos de pára-quedas, percebeu que ficara curado da hiperacidez. Como médico terapeuta, com mais de vinte anos de prática, fez a pergunta óbvia: o que teria acontecido? Ele então começou a refletir sobre o acontecido e, intuitivamente, percebeu que tal resultado havia sido conseqüência dessa sua experiência com o pára-quedismo. Portanto, para ele, a prática de pára-quedismo reproduzia em tudo algumas técnicas que ele havia estudado em sua vida de médico terapeuta, tais como: psicologia Tibetana budista, mas especificadamente, a técnica de morte e renascimento do ego.[17] Além disso, JOPF acrescentou suas leituras dos rituais de passagem dos cultos Xâmanicos. Em vista destas reflexões, JPOF concluiu que no pára-quedismo se vive exatamente a mesma experiência. Desse modo, um pára-quedista ao se lançar da porta de um avião para o salto, é como se estivesse saltando para a morte, independentemente de ele saber da segurança desse esporte. No entanto, os “macaquinhos†de seu inconsciente não o sabem. No salto, observou JPOF, o pára-quedista está vivendo o mito de Ãcaro que traduz o desejo ancestral de voar do ser humano, para finalmente renascer das cinzas como o mito da Phoenix.                    A indescritível sensação a cada salto (confirmadas em conversas com diversos pára-quedistas que haviam sentido que os saltos praticados haviam transformado sua vida), levou JPOF a conjecturar que cada salto deve provocar reações bioquímicas, que conduzem àquela sensação.[18] Em vista disso, passou a aplicar essa técnica, com resultados esplendidos, a alguns de seus pacientes com transtornos psicológicos, tais como: timidez patológica, luto, algumas fobias, depressão reativa, ansiedade e dependentes químicos. Em vista dos bons resultados conseguidos, ocorreu-lhe a idéia de que tais resultados deviam-se ao fato de que aqueles pacientes experenciaram emoções nunca antes sentidas. Aí, então, JPOF se perguntou o que estava acontecendo com a descarga das glândulas adrenais que antecede cada salto? Seguramente não eram endomorfinas, observou. Para ele, provavelmente, uma forma de adrenalina, diferente da então conhecida (“adrenalina amargaâ€, segundo ele), denominada também por ele de “adrenalina doceâ€, poderia “anular†(racemizar) o efeito da primeira, desde que o paciente entendesse e controlasse suas emoções. E, desse modo, ele conseguiria prevenir as doenças psicossomáticas. Com essa idéia em mente, ele conversou com um dos autores (JMFB), que lhe chamou a atenção sobre os enantiômeros, principalmente sobre o famoso caso da talidomida. [19] A partir daí, os autores começaram a desenvolver a seguinte conjectura:                                       Quando uma pessoa recebe um choque emocional, há uma descarga de L(-) – adrenalina na corrente sangüínea. E, em seu fluxo, as moléculas começam a interagir, com algumas delas transformando-se em D(+) – adrenalina. Em condições emocionais normais, o percentual de D(+) – adrenalina permanece baixo, a exemplo do que ocorre in vitro. No entanto, dependendo do controle emocional da pessoa em questão, poderá haver um aumento daquele percentual e, com isso, ocorrer uma inativação de L(-) em virtude da racemização, pela qual metade de L(-) é transformada em D(+). Desse modo, essa inativação poderá prevenir uma doença psicossomática decorrente apenas da L(-).                       AGRADECIMENTOS                    Agradecemos a leitura crítica de Alan Wilter Sousa da Silva, José Perilo da Rosa Neto, Maria Beatriz Breves Ramos, Mauro Sérgio Dorsa Cattani e Pedro Leon da Rosa Filho.                       

NOTAS E REFERÊNCIAS [1] Entre 1848 e 1850, o químico francês Louis Pasteur estudou os cristais de ácido racêmico (da palavra latina racemus, que significa uva), com o auxílio de um microscópico. Com efeito, ao observar esses cristais, Pasteur verificou haver dois tipos deles, sendo um a imagem em espelho (especular) do outro. Registre-se que Pasteur obtinha esses cristais a partir de uma solução que não girava o plano de polarização da luz que incidia sobre os mesmos e, imediatamente, imaginou ser a mistura 50% x 50% (racemização) de dois tipos de cristais a explicação da inatividade óptica observada. Desse modo, com a ajuda de pinças, separou, cuidadosamente, os cristais em dois montículos e, ao passar novamente a luz polarizada através dos mesmos, percebeu que um deles girava o plano de polarização da luz em sentido horário e o outro em sentido anti-horário. Observou ainda ser uma das duas formas do ácido racêmico idêntica ao ácido tartárico (C4H6O6). Em vista disso, classificou as moléculas que compunham os cristais estudados em dois tipos: mão-esquerda ou levógira [L(-)] e mão-direita ou dextrógira[D(+)]. [Hoje, essas moléculas conhecidas como quirais (da palavra grega keir, que significa mão) são denominadas de enantiômeras e são de dois tipos: L(-) -enantiômera (L de levógira) e D(+) - enantiômera (D de dextrógira).] Na continuação de suas pesquisas nas quais observou as relações entre a assimetria molecular e os microorganismos, Pasteur convenceu-se de que a química da vida apresentava uma preferência pela quiralidade de certas moléculas, e que, portanto, havia uma distinção clara entre matéria viva e matéria morta. Essa convicção levou-o a apresentar perante a Academia Francesa de Ciências sua célebre conjectura: O Universo é Dissimétrico. Com o decorrer dos anos essa conjectura de Pasteur mostrou-se verdadeira e, no Século 20, o desenvolvimento da Ciência revelou que essa assimetria do Universo ocorre em todos os níveis, do microscópico ao macroscópico, sobretudo no que se refere à química da vida. Para mais informações sobre as formas enantioméricas de moléculas orgânicas e inorgânicas, ver: BASSALO, J. M. F.  e CATTANI, M. S. D. 1995. Contactos 10, p. 20; Revista Brasileira de Ensino de Física 17, p. 224.    

[2] ORNISH, D. 1998. Amor & Sobrevivência: A Base Científica para o Poder Curativo da Intimidade, Editora Rocco. [3] Esse poder curador é baseado na tese da médica norte-americana Candace B. Pert, segundo a qual, não há distinção entre corpo e mente e, por isso, os dois formam o sistema corpomente, de modo que as emoções estão inextricavelmente ligadas à fisiologia.  

[4] HAY, L. L. 2002. Cure seu Corpo: As Causas mentais dos Males e o Modo Metafísico de Combatê-los, Editora Best Seller; ——–. 2005. Você pode Curar sua Vida: Como Despertar Idéias Positivas, Superar Doenças e Viver Plenamente, Editora Best Seller.  [5] RAMOS, M. B. B. 1998. Macromicro: A Ciência do Sentir, Editora Mauad; ———-. 2001. O Homem além do Homem, Editora Mauad. 

[6] Segundo Ramos, quando uma pessoa recebe um choque emocional (entra em ressonância com uma outra pessoa), o seu complexo macromicro vibra fortemente e provoca um desequilíbrio biológico, que se traduz por uma alteração no nível somático (doença) [7] RAMOS, M. B. B. 2005. A Fronteira do Adoecer: O Sentir e a Psicossomática, Editora Mauad. (Este livro teve a colaboração da psicóloga brasileira Ana Helena Vieira Winter.) 

[8] A adrenalina foi descoberta, independentemente, por quatro pesquisadores: o médico norte-americano William Horatio Bates, em 1886; o fisiologista polonês Napoleon Cybulski, em 1895; o bioquímico norte-americano John Jacob Abel, em 1897; e o bioquímico japonês Jokichi Takamine, em 1901, quem, aliás, cunhou seu nome: ad (prefixo latino que significa proximidade), renal (relativo aos rins, “renalis†em latim) e ina (sufixo aplicado a algumas substâncias químicas). Ela foi artificialmente sintetizada, em 1904, pelo químico alemão Friedrich Stolz.    [9] http:/www.med.wayne.edu/pharm/artalejo.htm 

[10] SÄNGER-VAN DE GRIEND, C. E., EK, A. G., WIDAHL-NÄSMAN, M. E. and E. K. M. ANDERSSON, E. K. M. 2006. Journal of Pharmaceutical and Biomedical Analysis 41, p. 77; http://cat.inist.fr/?aModele=afficheN&cpsidt=17619295; htpp://www3.interscience.wiley.com/cgibin/abstract/107583907/ABSTRACT?CRETRY=1&SRETRY=0. [11] STEPENSKY, D., CHORNY, M., DABOUR, Z. and SCHUMACHER,

I. 2003. Journal of Pharmaceutical Sciences

93, p. 969. [12] LE COUTEUR, P. 2006; KAUMANN, A. 2006. Comunicação por e-mail.   [13] MANDELBAUM, F., O. B. HENRIQUES, O. B. and HENRIQUES, S. B. 1956. Nature 178, p. 363. 

[14] BERNHEIMER, H., EHRINGER, H., HEISTRACHER, P., und KRAUPP, O. 1960. Boichemische Zeistchrift 332, p. 416. [15] RICE, P. J., MILLER,

D. D., SOKOLOSKI, T. D. and PATIL, P. N. 1989. Chirality

1, p. 14.  [16] CATTANI, M. and TOMÉ, T. 1993. Origins of Life and Evolution of the Biosphere  23, p. 125.   [17] Registre-se que essa prática, por ser tão eficaz, foi ocidentalizada por outras correntes psicológicas como a Gestalt, a psicologia transpessoal e a emergência espiritual. [Sobre esta última ver: GROF, S. e GROF, C. (Organizadores) 1995. Emergência Espiritual: Crise e Transformação Espiritual, Editora Cultrix.] 

[18] Outros resultados sobre os efeitos orgânicos em pára-quedistas podem ser encontrados nos sítios: http://www.pnas.org/cgi/reprint/91/22/10440?maxtoshow=&HITS=10&hits=10&RESULTFORMAT=&searchid=1&FIRSTINDEX=0&minscore=5000&resourcetype+HWCIT;http://www.springerlink.com/content/xx69127j52210621/;  http://www.ncbi.mlm.nih.gov/sites/entrez?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=8647351&dopt=Abstract  [19] Graças a quiralidade das moléculas enantioméricas foi possível explicar o famoso caso da talidomida (C13H10N2O4). Vejamos como. Na Europa, particularmente na Inglaterra e na Alemanha, entre 1956 e 1963, foi observado que as gestantes que usavam um certo xarope (que continha a talidomida), indicado para tosses e que, também era prescrito para reduzir a náusea, estava provocando o nascimento de milhares de crianças deformadas. Retirado do mercado, o xarope passou a ser estudado. Descobriram então que era a forma D-enantiomérica da talidomida que curava a náusea, enquanto a forma L-enantiomérica provocava os defeitos no feto. Do mesmo modo, estudos posteriores mostraram que a eficácia da penicilina-G (C16H18N2O4S) (a primeira das penicilinas foi descoberta, em 1928, pelo bacteriologista escocês Sir Alexander Fleming) contra as bactérias resultava do fato de que estas, excepcionalmente, utilizam-se de D-aminoácidos na construção de suas paredes celulares, e a penicilina contém um grupo de L-aminoácidos e que interfere com a síntese das paredes celulares das bactérias. [BASSALO e CATTANI (1995).]


[1] josepauloof@hotmail.com

[2] www.bassalo.com.br

[3] npcoelho@yahoo.com

Jan 21

About

Sem Categoria No Comments »

This is an example of a WordPress page, you could edit this to put information about yourself or your site so readers know where you are coming from. You can create as many pages like this one or sub-pages as you like and manage all of your content inside of WordPress.