CRÔNICAS FICCIONAIS |
A Física no Século 23
“Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou contar é conto ou não, sei que é verdade”. (Mário de Andrade)
Era meio-dia do dia 10 de setembro de 2235 quando o exo-bio-galáctico-físico terrestre Ganewein Darwirefeme Giuvancoccomordraksag recebeu uma teleholografia do nascimento de seu quarto trineto, que se chamaria de Elino. Meia-hora depois, ele soube que se tratava de gêmeos, pois acabara de nascer seu quinto trineto, uma menina, que teria o nome de Rocela. Ele iniciava uma viagem galáctica ao planeta Celcobas que orbita em torno do centro de massa do sistema Sirius A-Sirius B a uma distância de 4,6 UA (UA = distância Terra-Sol) de Sirius A, e com as mesmas características do planeta Terra. Viajando a uma velocidade de 0.1 c (c=300.000 km/s), ele e a tripulação da nave Tsiolbraunjucezsandum, movida por elétrons descarregados, levariam em torno de 4 anos terrestres para chegar àquele corpo celeste. Por que Ganewein, já com a idade de 120 anos, viajava naquela direção perguntará o leitor?
Antes de responder a essa pergunta, devo falar um pouco sobre a longevidade de Ganewein e, também, sobre a nave Tsiolbraunjucezsandum. Em 2143, a Tera-Bio-Fis-Engenharia Genética havia desenvolvido um tipo de quimioneuroterapia que usava a Adrenalina D (+) para curar as doenças e, com isso, a vida-média dos terrestres começou a aumentar, atingindo, no Século 23, 150 anos. Esse tipo de terapia havia sido previsto, no começo do Século 21, pelo teraholomédico Jop Olfil.
A nave Tsiolbraunjucezsandum foi lançada da base Kep Jver Wellclark, localizada em Salinas, no litoral paraense, com o comandante Jocba Adribaflo e os subcomandantes Maxjmenjedfer Jeralnelsjrnailro Perleon e Milmvalcolbrev Maravemnas Ptsalenazurremind. Essa missão espacial realizada fora do Sistema Solar, foi organizada, programada e preparada por um grupo de vários especialistas (ver nomes no anexo), tais como: engenheiros, administradores, informáticos, astronautas, físicos, médicos, dentistas, químicos, matemáticos, pensadores e comunicadores.
Com relação ao tempo de viagem e o combustível utilizado pela nave Tsiolbraunjucezsandum, eles decorreram de propostas feitas, nas duas últimas décadas do Século 20, pelo físico brasileiro Jomfiba Rimeda, quais sejam: modificação na definição da velocidade e o caráter tripleto SU(3) do elétron (cargas: positiva, negativa e nula). Vejamos essas propostas. Na Mecânica Newtoniana, a velocidade é definida como uma relação entre o deslocamento de uma partícula no espaço e o tempo gasto nesse deslocamento. Na Mecânica Einsteniana, a velocidade é definida como uma relação entre o deslocamento de uma partícula no espaço-tempo e o tempo próprio gasto nesse deslocamento. Contudo, a Cosmologia Hubbleiana-Einsteniana mostrou, no Século 20, que é o próprio espaço-tempo que se desloca. Foi somente no Século 22, precisamente no ano 2135, que o cosmo-galáctico Marcma Novell Arpmag introduziu uma nova definição de derivada, naquela Cosmologia, usando o deslocamento espaço-temporal. Com isso, conseguiram uma dilação temporal maior que a prevista pelas Relatividades Einsteinianas.
A existência de um tripleto SU(3) para os léptons decorre da necessidade de juntá-los aos hádrons para compor uma única família de partículas elementares que formam a matéria-energia do Universo, incluindo nela, a matéria e a energia escuras, postuladas pelos astrofísicos do final do Século 20.
A propulsão da nave decorria da produção de elétrons neutros gerados por pequenos aceleradores que funcionavam como motores da nave. Era o mesmo princípio do motor a jato, que impulsionavam as naves espaciais no Século 20. Esses aceleradores foram fabricados por um consórcio Latino-Americano-Sul, que tinha o Brasil como líder, em uma cidade científica localizada na Amazônia - Ocvbgvecch. O protótipo desse acelerador, chamado de Lattdamsalawren, foi colocado em operação no ano de 2147, por ocasião da comemoração dos 200 anos da descoberta do méson pi.
Outra questão sobre a viagem da nave Tsiolbraunjucezsandum ao planeta Celcobas, era a de proteger os seus ocupantes contra os raios cósmicos (basicamente prótons altamente energéticos), pois, conforme se sabia no início do Século 21, eles chegariam a cortar um terço do DNA dos astronautas em viagens planetárias prolongadas. Essa dificuldade foi resolvida, em 28 de abril de 2200, pelo bio-galáctico-físico Heakennapp Vicheskolmill Valleneupark, ao envolver o DNA por campos magnéticos oriundos de supercorrentes produzidas por um novo material, descoberto em 2211 pelo galáctico-físico Onnginland Bcsnewber Bedmülchulcbot, que se tornava supercondutor na temperatura de 20oC.
Vejamos, agora, um pouco da história do Celcobas, descoberto no dia 06 de junho de 2139, pelo galáctico-astrônomo Hersadamlever Gallowtomb Ronmour. As primeiras suspeitas da existência de exoplanetas (planetas extra-solares) aconteceram em 1989, quando David Latham observou variações na velocidade radial de HD 114762b, um planeta gigante com massa em torno de 11 vezes a massa de Júpiter e que levava cerca de 84 dias para orbitar em torno de uma estrela amarela da seqüência principal, a HD 114762, localizada na constelação Coma Berenices. Contudo, a primazia da descoberta dos primeiros exoplanetas foi requerida pelo astrônomo polaco Aleksander Wolszczan, que, em 1993, encontrou planetas orbitando em torno do pulsar PSR 1257+12. Até dezembro de 2005, foram descobertos 170 exoplanetas, orbitando ao redor de estrelas da seqüência principal, à qual o Sol pertence. Em nosso século 23, existem bilhões de exoplanetas, sendo Celcobas um deles, do qual falaremos a seguir.
Celcobas, conforme dissemos acima, orbita em torno do centro de massa do sistema Sirius A-Sirius B. Este sistema, que pertence à Mitologia do povo dogon, da República de Mali, na antiga África Equatorial Francesa, foi descoberto pelo astrônomo alemão Friedrich Wilhelm Bessel, em 1844. A Sirius B foi descoberta pelo astrônomo norte-americano Alvan Graham Clark, em 1862, e seu tamanho determinado pelo astrônomo sírio-norte-americano Walter Sydney Adams, em 1915.
A idéia de se fazer contato com extraterrestres (ET) deveu-se aos físicos, os italianos Giuseppe e Vanna Cocconi e os norte-americanos Philip Morrison, Frank Drake e Carl Sagan, na segunda metade do Século 20. Aliás, foi também nesse Século que a cinematografia mundial (principalmente o diretor norte-americano Steven Spielberg) maravilhou os terrestres com filmes envolvendo a visita de ETs ao nosso planeta.
Por fim, chegamos à razão principal da ida de Ganewein ao planeta Celcobas. Toda a Física desenvolvida no planeta Terra até aquele momento em que Ganewein se encontrava na Tsiolbraunjucezsandum, baseava-se na interação entre dois corpos, uma tradição atávica que vinha da Lei de Gravitação proposta pelo físico inglês Sir Isaac Newton, em 1687, em seu famoso livro Philosophiae Naturalis Principia Mathematica. Apesar de muitos físicos e matemáticos tentarem resolver, na forma fechada e sem usar métodos perturbativos, o famoso “problema de três corpos”, que começou com o matemático e astrônomo francês Pierre Simon de Laplace, no Século 18, sua solução tornou-se impossível. Essa impossibilidade, segundo o físico Jomfiba, decorre da estrutura mental dos terrestres ser influenciada pela presença de apenas uma estrela, o Sol, o atraindo. Certamente, acreditava esse físico, o “Newton” de um planeta que girasse em torno de dois sóis, já teria proposto a “sua lei de Gravitação” com o “problema de três corpos” resolvido. Foi essa idéia que Ganewein teve, ao pensar se comunicar com o físico Fisdesclefis Fisnobelis, do planeta Celcobas. Nós, terrestres, só poderemos saber qual será a Física no Século 23, quando Ganewein voltar de sua viagem, que acontecerá no dia 16 de agosto de 2245, pois ele havia se comprometido com a comunidade internacional de físicos de só passar as informações que receberia de Fisdesclefis em sua volta. Além disso, como Ganewein era o chefe da missão espacial composta de outros galácticos de diferentes áreas do conhecimento humano, ele ordenou que os resultados de suas observações também só serão conhecidos naquela data. Até lá, teremos de “roer muita unha”!
Anexo (Para o leitor conhecer como foram construídos os nomes usados nesta crônica ficcional, clique aqui em Gloscon)
Engenheiros:
Irbonbarkla Silferaf Josilmach, Heronloriwjsan Reigrejedemei Mbenchlfrerdoupgilb, Madaffmerlind Fgchavjloverccun Amorpaunasmmontocypr, Alirjoframcmcaval Bagmalgabefben Ronalcocsiqdeumac, Dircamildou Rkalpantpinh Marwladfsan, Fermonmanrib Alfcartavmmaia Ibiapmacjmesffercar e Anppcisabarlutbitnchar Adalberwferjlbarar Jompsolauamorirsanj, Jmquadjurngarlpa Hmesacourper Ocalopilbah.
Administradores:
Tercatsimjat Anterlopmhsim Nelsiljrmaralfer, Jomanferubrsgmal Laeafsalnewb Justmsampcampol, Bren Gui Elicc, Anccmarcincl Margracoe Haydeco, Glor Ricarcoe Roblpval, Alfmelmximp Nilpolcriwandpdin Jsilnclmalabar e Alchavdqcsou Jfbarbmxim Marjovrdinalin.
Informáticos:
Educer Alexwat Agca, Arnprad Claumbfclepos Wiljsandrsrdel e Gismelbas Sauaflo.
Astronautas:
Pemarcrisp Nicpeanro Primfibas, Antofibasjud Filnetbis Madacricorumtiluzjos, Julfrbas Marfromfbas Nognet, Anbia e Math Basaflo, Luc e Vit Melbas, Netpm Snetc, Claucat Lucfon, Colcpordmer Amcelsaparnpbc Colplcepcengfis, Alunablevcepcufpa Emp Coebascrisp, Profplcepcengfis Tiartwilswaldwill Tianimarlulucgui, Ircarbarpaivresgonç Jpasborantpantpayovilh Irpinsamptavamdivmaltbrit, Anmalmconaz Ioncalivmesmarefar Marenogmbemerg e Davbenlapcarlmenfon Rambenaaenor Leodabsaoledonerleal.
Físicos:
Nasscatt Albsantnorfle Ojcmouferviejanj, Caruogurjoff Jacapevancesmaj Newthcamphelmftor, Luc Bascrisp Angelisakcrisp, Janfurayalcan Fatvifazinjorevelinedsant Aurandkarlmottalex, Morguepasparacwnei Marcdanmarcidito Liajuabrenimbruynpelg, Alwilwalldam Mcgleaquillopjrol Marcantleoghandjthal, Moisaugsmith Wilsmarlucquir Nerhelyeljgrl, Jfranbtad Csarfreginf Anibfctos, Argmbastubcirtr Linmsrjfelafabms Jeffonaskymksspromfil, Alnaraisbstethcarivcfer Humsdmgomwalpj Fmukajasalmarcanmach, Ruygcalandgabar Crtmondifag Waltjmedjricsal, Penlmalexcos Marcmarcricpaix Fabmsberrodgtek, Edaknoshbarmurafig Jhensjbbarfranos Rmocanavjribprax, Vansasvizmarclim Sancpetagrjordrutxe Feldancastlaon, Jsandjlmlop Wandjumb Silpsimf, Amaielaljesco Klczcfmacaltadb Edsmcarkob, Frarelmlincfer Janferadelb Jrsglferherant, Licpbmnaid Jctancjtadlfsil Fgablucjoribrobol, Elitiomsalm Leilompatfssbardcrav Aehambschenjjgiam, Marcgswievid Arnhomrochbar Olivjenn, Djalmoncurtseqjmhc Afteixatropmreb Orsopeduz, Couescenpred Sermrezrshell Fasimapmalbouiabedmacgs, Casantmarmyasya Hmiysisojrmbonirfrenk Achermfcordjpedr, Antgodias Joseilouclim Nelcofsell, Woljacbarpmvbar Jwarnelpnantpn Jferochaurf, Dschvansbagn Ankoctass Rnarajsolirlob, Shozsrasalinshib Jlemjzanhlbar Amrabmax, Ramarlbrun Mamorltah Sovellsmar, Ifittmgamcout Humfranjper Wwresrkoblcmen e Rmalldred Mabudrcafjunos Swatjlow.
Médicos:
Marbivosoc Pepgabca Pecevarleojoramar, Rasfcardprbentiv Leoceralmgab Julcruzpavel, Mcoemlut Irmatirfon Cberbmbbram, Aramelivhygin Girarmirlourbar Melpxbencal e Adferguiguihelofil Andrsidjguer Smalubsalgapen.
Químicos:
Wanapjoser Robcorfrunz Fpassunclribacent e Clodfer Benaslaumorattolma Feraguijmsbar.
Matemáticos:
Ruybrmorg Moutmanleilben Rcondprsgrap, Marser Ruibarbjwdle Guillapenthsrvas e Carlbrmantrau Teiguaocal Rayflobtcarol.
Pensadores e Comunicadores:
Joachim Francjill Tysantdor, Inoco Azimamarc, Gcoel Cahalmag Rosau, Pepas Romcoa Tiomendjjbjabog, Claudpat Celman Barotguigenpin, Glaufatatav Otaverwpint Irawalrlac, Hamarpgalocoim Eliluflapin Helserjobaisamnmes e Benunjmonsf Clomoregirapsal Manunchmamfersrpassaps